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Sindicato dos farmacêuticos está ameaçado de fechar

O Sindicato dos Farmacêuticos de Minas Gerais (Sinfarmig) corre o risco de fechar as portas. A organização, que completou 37 anos de existência e representa mais de 24 mil profissionais espalhados por todo o estado, enfrenta dificuldades com as reformas do governo golpista de Temer (MDB). Com isso, patrões ficam mais fortes para retirar direitos da categoria.

 

Divulgação / Sinfarmig
 
  
 

Além de alterar mais de 100 cláusulas da CLT e permitir que o negociado prevaleça sobre o legislado, a reforma trabalhista extinguiu o importo sindical, uma das principais fontes de custeio das organizações dos trabalhadores. No final do ano passado, uma estimativa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) apontou que até 100 mil funcionários dos sindicatos podem ser demitidos.

 

“Aqui também não é diferente. Já demitimos nossa assessoria de comunicação, advogados e funcionários e estamos com apenas três. Nós sempre funcionamos das 8h às 18h. Agora, só de 8h ao meio-dia, pois não temos dinheiro para manter a sede aberta por mais tempo”, relata Júnia Dark Vieira Lelis, diretora do Sinfarmig.

 

De acordo com Júnia, há muitas dificuldades para filiar a categoria e garantir a contribuição voluntária. Primeiramente, porque os farmacêuticos encontram-se pulverizados pelo território, trabalhando em unidades com poucos funcionários, o que dificulta o contato permanente com os trabalhadores. Em segundo lugar, porque há um discurso e uma mentalidade anti-sindicais que impedem que as pessoas compreendam a importância da organização.

 

“Uma porcentagem muito pequena se filia. Os sindicatos geralmente têm assessoria jurídica gratuita para a categoria. E têm também os ganhos nas convenções coletivas. Os sindicatos patronais são muito articulados. Se nos desarticularmos ou acabarmos, o trabalhador fica desamparado. O sindicato está aí para fazer com que os direitos sejam cumpridos, lutar por melhores condições de vida, trabalho, remuneração condizente com a responsabilidade do trabalhador”, avalia.

 

Quem perde é o trabalhador

Júnia Dark, diretora do Sinfarmig, conta que, após a reforma trabalhista, patrões pressionam com uma pauta de retirada de direitos. O enfraquecimento da organização sindical, segundo ela, serve a esse propósito. Se antes havia uma legislação por trás para amparar quem trabalha, com a reforma, o trabalhador está desprotegido.

 

“Na última pauta que eles nos entregaram, o farmacêutico não ganharia mais hora extra, o patrão poderia acertar o banco de horas em até um ano, dando uma folga do jeito que eles determinarem. Também querem implantar a jornada de 12 por 36, passar o horário de almoço para 30 minutos. As homologações não são mais no sindicato, mas lá na empresa com o advogado da empresa. Então, entre as 10 maiores reclamações na Justiça do Trabalho estão as fraudes nas homologações, pois não tem o sindicato para reclamar e é claro que as empresas fazem os cálculos para menos”, exemplifica.

 

Por fim, ela lembra que a representação sindical foi indispensável nas melhorias conquistadas pelos farmacêuticos e outros profissionais. E ressalta que o sindicato não luta apenas o interesse corporativo da sua categoria.

 

“Participamos da defesa do SUS, nos conselhos de saúde. No ano passado, o secretário de saúde de BH queria acabar com as farmácias dos postos de saúde e comprar medicamento na rede privada. Nós participamos da relatoria e mostramos que o que ele queria fazer era inconstitucional, pois o dinheiro é público. Ele não pode gastar esse dinheiro comprando na farmácia da esquina por um preço muito maior”, recorda.

 
 
 
 
 

Por Wallace Oliveira, no Brasil de Fato, 28 de junho de 2018.

 


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